Francisca Maria Branco Venâncio
defendeu o seu relatório de Projecto Final de Mestrado em Design de Produto em 14
de Dezembro. Trata-se de uma revisitação à gastronomia e à olaria utilitária
portuguesa.
O discurso foi construído em função
de três propostas: uma assadeira, uma talha e uma cuscuzeira. Cada uma das
peças decorre de opções técnicas e histórico-culturais. A assadeira tem uma
presença disseminada Noroeste, a talha vinícola está associada sobretudo ao
Alentejo e a cuscuzeira ao Nordeste.
Francisca pediu ajuda à antropologia e à gastronomia para justificar a adequação das suas escolhas. E percorreu alguns dos principais centros oleiros – Bisalhães, Nisa, Redondo, São Pedro do Corval, Beringel, Vila de Frades – onde colheu amostras e práticas que reutilizou nas suas propostas.
Francisca pediu ajuda à antropologia e à gastronomia para justificar a adequação das suas escolhas. E percorreu alguns dos principais centros oleiros – Bisalhães, Nisa, Redondo, São Pedro do Corval, Beringel, Vila de Frades – onde colheu amostras e práticas que reutilizou nas suas propostas.
A tese intitula-se poeticamente Barro: Um Pedaço de Tempo na Alimentação.
O fio do texto é pautado pela experiência pessoal da sua autora, originária de uma família onde se cruzam raízes minhotas e transmontanas e lhe transmitiu a memória da preparação de alimentos, do tempo da mesa partilhado, da elaboração culinária em utensílios de mesa e fogo em barro vermelho.
O fio do texto é pautado pela experiência pessoal da sua autora, originária de uma família onde se cruzam raízes minhotas e transmontanas e lhe transmitiu a memória da preparação de alimentos, do tempo da mesa partilhado, da elaboração culinária em utensílios de mesa e fogo em barro vermelho.
Trabalho realizado com eficácia e
elegância, assente em boa informação - bibliográfica e de recolha directa –
soluções técnicas e formais muito perspicazes, um regresso carinhoso e
inteligente ao tempo do barro vermelho.
Um regresso onde a nostalgia é temperada pela urgência em retomar a centralidade da cerâmica na vida quotidiana. Francisca não se deixou seduzir pelo artesanato urbano, pela via decorativa da recuperação da olaria. As suas propostas são inovadoras precisamente porque repõem a olaria na cultura de que fazem parte.
Um regresso onde a nostalgia é temperada pela urgência em retomar a centralidade da cerâmica na vida quotidiana. Francisca não se deixou seduzir pelo artesanato urbano, pela via decorativa da recuperação da olaria. As suas propostas são inovadoras precisamente porque repõem a olaria na cultura de que fazem parte.
Juri: Luis Miguel Pessanha, Renato Bispo, João Serra, Albio Nascimento |
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